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Pets com Deficiência

Assim como acontece com nós, humanos, muitos bichinhos já nascem com alguma necessidade específica ou deficiência, ou então passam a tê-la ao longo da vida, seja em decorrência de alguma doença, acidente ou até da própria velhice.

Existem animais cegos, surdos, paraplégicos, sem um ou mais membros, ou com membros que não funcionam corretamente… os tipos de corpos que os animais apresentam são tão diversos quanto os humanos.

 em uma ambiente externo com vegetação e piscina, uma oça (no caso eu, Carol) faz carinho em um cachorro da raça Beagle que usa cadeira de rodas
Com o querido Gil, cachorro Beagle que ficou paraplégico em virtude de um acidente

Nesse post quero falar um pouco sobre a vida de cães e gatos que vivem com alguma deficiência ou limitação física. Vou falar das deficiências que mais encontramos nos pets e as dificuldades que as famílias desses pets enfrentam, além das adaptações que às vezes são necessárias nos lares. O ponto alto do post fica por conta dos tutores e amigos super queridos que enviaram vários depoimentos sobre a vida com pets com deficiências ou necessidades específicas.

Outro objetivo importante do post é chamar a atenção para a adoção de cães e gatos que possuem alguma deficiência, limitação ou necessidade específica. Nós vivemos em um mundo onde a beleza e a perfeição costumam ser os grandes sonhos de todos, em todas as áreas da vida, então imagine os problemas enfrentados por cães, gatos e outros animais que apresentam algum tipo de deficiência. As estatísticas mais recentes mostram que a cada 100 animais adotados, apenas um apresenta alguma deficiência.

A adoção de pets deficientes, além de esbarrar na questão da rejeição, também é afetada pelos custos (financeiros e emocionais) que os cuidados especiais podem envolver: aquisição de fraldas, próteses, medicamentos, sessões de fisioterapia e visitas mais frequentes ao veterinário. Dependendo do caso, o pet com paralisia pode ter dificuldades em fazer xixi e cocô, precisando da assistência do tutor para fazê-lo (veremos um caso assim nos depoimentos!). A dedicação da família é imprescindível. Mas, no final das contas, animais deficientes merecem a mesma chance de serem felizes e amados quanto qualquer outro! Que tal se a gente tentar equilibrar esses números de adoção?

Já quero abrir o post com um depoimento muito importante. Segue abaixo o que escreveu a Simone Faleiros, minha cliente e amiga:

Olá! Meu nome é Simone; falo aqui de São Paulo. Tenho 4 gatos e um deles, o Maní, é surdo. Quando descobri o problema, passei a observá-lo com mais frequência, sempre no intuito de verificar se o seu desenvolvimento estava se dando de forma normal, conforme o esperado. Concluí que a surdez não o impedia de fazer nada, muito pelo contrário, ele faz tudo o que os outros que escutam normalmente fazem: brinca, mia, pede comida, adora petisco e é super carinhoso com a gente. Não precisei fazer nenhuma adaptação para ele. A única dificuldade que vejo é quando ele precisa pular. Sempre mede muito antes de tomar o impulso. Mas, mesmo demorando, ele consegue. No dia a dia, não tenho nenhum cuidado especial com ele. Apenas quando está dormindo que evitamos acordá-lo porque ele se assusta muito! Ele convive muito bem com os outros gatos. Como disse, ele brinca e se diverte com eles. Acho importante as pessoas terem maior esclarecimento sobre os pets especiais, porque vejo que rola muito preconceito. Os gatos especiais não são nada além de especiais!

Quero fazer um comentário importante sobre o depoimento da Simone falando da surdez do Maní. Ele é um gato completamente branco e com os dois olhos azuis. A surdez hereditária é uma grande preocupação em gatos brancos, e mais ainda, se uma ou ambas as íris são de cor azul, já que a causa da surdez é um gene dominante “W” que sempre produz a pelagem branca e, por vezes, mas não sempre, produz a surdez parcial ou total também. Ou seja, se um gato branco tem dois olhos azuis, tem de 3 a 5 vezes mais probabilidade de ser surdo do que um gato com os dois olhos não azuis. As pesquisas mostram que de 65 a 85% dos gatos completamente brancos e com dois olhos azuis são deficientes auditivos.

Quero fazer um comentário importante sobre o depoimento da Simone falando da surdez do Maní. Ele é um gato completamente branco e com os dois olhos azuis. A surdez hereditária é uma grande preocupação em gatos brancos, e mais ainda, se uma ou ambas as íris são de cor azul, já que a causa da surdez é um gene dominante “W” que sempre produz a pelagem branca e, por vezes, mas não sempre, produz a surdez parcial ou total também. Ou seja, se um gato branco tem dois olhos azuis, tem de 3 a 5 vezes mais probabilidade de ser surdo do que um gato com os dois olhos não azuis. As pesquisas mostram que de 65 a 85% dos gatos completamente brancos e com dois olhos azuis são deficientes auditivos.

DEFICIÊNCIAS MAIS COMUNS

Helô, uma cadela sem ração definida, que não tem um olho
Helô, cadela que não tem um olho e o outro é cego

Falando um pouco de algumas das deficiências mais comuns que encontramos nos pets: animais amputados ou com paralisia são muito comuns de serem vistos, e isso acontece por motivos muito tristes. Ainda existem muitos atropelamentos de cães e gatos, especialmente nas grandes cidades, sem contar a maldade humana. Infelizmente, muitos casos de animais com membros amputados ou paralisados vem de maus tratos sofridos. Também existem sequelas de doenças, viroses e outras condições que podem levar os pets a perderem os movimentos ou os membros.

A cegueira e a surdez também são bastante comuns, em alguns casos é algo genético (como o Manízinho, do depoimento da Simone), outros são por doenças e também tem a velhice, que pode levar cães e gatos a perderem a visão e audição.

O próximo depoimento é da Ana Clara, mãe de um gatinho paraplégico.

Sou a Ana Clara Penna, moro em Contagem – MG e sou mãe do Paçoca e de mais 2 gatos e 3 cães. O Paçoca é paraplégico, teve uma fratura na vértebra L5 e não tem movimentos e nem sensibilidade da cintura para baixo. Em relação às dificuldades que enfrentamos, eu tenho dificuldade quando preciso dormir fora ou viajar, é difícil achar hotéis que aceitem pets ainda hoje em dia. Ele não faz xixi sozinho, preciso fazer a compressão da bexiga de 2 a 3 vezes por dia, então tenho que levá-lo comigo quando preciso me ausentar por mais tempo. Em casa tive que colocar aqueles portões de segurança para crianças nos acessos para as escadas. Esvazio a bexiga dele de duas a três vezes ao dia, troco as fraldas, uso pomada contra assaduras a cada troca, uso banho a seco e lenço umedecido a cada troca de fraldas, dou banho toda semana (só da cintura para baixo) e mantenho a região íntima tosada para facilitar a limpeza diária. Ele também ingere alimentação úmida duas vezes por dia para evitar o ressecamento das fezes. Sobre o convívio dele com os demais animais da casa, eles convivem bem no geral, os cães e os gatos, mas o Paçoca é bem ciumento, quer o colo e a atenção toda para ele. O Paçoca é o primeiro pet com necessidades especiais que eu tenho e está sendo uma experiência maravilhosa. Eles desenvolvem uma ligação muito forte com a gente, a gratidão deles é muito nítida. Recomendo que todos que amam pets, cuidem de pelo menos um especial na vida.

Seguindo o papo sobre animais paraplégicos, uma observação importante é o cuidado com a pele desses pets: precisa haver atenção extra com a limpeza e troca de fraldas, além de cuidado para a cadeirinha de rodas não ferir a pele do animal. Os pets que se arrastam também precisam de atenção redobrada para não ferirem a pele.

Segue o depoimento da Fernanda, que tem um cachorrinho que não tem movimento nas patas traseiras. A Fernanda fala um pouco das dificuldades causadas pela sequela da cinomose, uma doença viral altamente contagiosa que atinge os cães.

Meu nome é Fernanda de Jesus Ribeiro, moramos no bairro Novo Eldorado em Contagem. Tenho um cachorro, o Axell Rose que tem sequela da cinomose. Quando eu o resgatei ele ainda andava, mas começamos a tratar da babésia e 15 dias depois de resgatado ele apresentou os sintomas neurológicos da cinomose. Seus membros torácicos enrijeceram e agora ele não tem articulação nesses membros. As patas traseiras perderam o tônus muscular. Ele usa cadeirinha de rodas que foi doada por uma amiga protetora. As dificuldades são muitas, mas a principal delas é que o Axell nem se arrasta! Onde eu o ponho ele fica. Então quando eu saio pra trabalhar, ele fica sem beber água ou se alimentar, me aguardando chegar. Não posso viajar sem ele porque ele é totalmente dependente de mim. Minha casa é alugada, mas ele consegue circular de cadeirinha por todo lado.

No depoimento da Fernanda vimos que não foram feitas adaptações na casa deles, mas em alguns lares pode ser que adaptações sejam necessárias, como a instalação de rampas, de grades de segurança ou até de material protetor de quinas, no caso de animais cegos. Muitos pets cegos conseguem se locomover bem pela casa depois que aprendem o caminho, mas ainda podem se machucar ao esbarrar em móveis. Nesse sentido, também é indicado não mudar demais a disposição da mobília e dos objetos da casa, para que o pet tenha a segurança de saber se localizar no ambiente.

O próximo depoimento é da Victoria Lopes, que é mãe de uma cadelinha sem uma pata:

Meu nome é Victoria, eu sou de Santos e tenho a Amora, uma cachorrinha que teve uma das patinhas traseiras amputadas porque foi atropelada por uma moto. Adotamos ela em setembro do ano passado (2019) e ela já havia passado pela cirurgia há aproximadamente 20 dias. Ela basicamente já chegou bem adaptada com a falta da pata, anda e corre numa boa, sobe no sofá e em cadeiras tranquilamente. Nossas preocupações com relação à falta da pata são relacionadas principalmente ao fato dela não poder engordar muito para não sobrecarregar a pata traseira, e com relação a isso ainda estamos nos adaptando, tentando achar um equilíbrio com na alimentação dela e também tentamos criar a rotina de caminhar com ela na rua (ela faz as necessidades em casa, então o passeio é pelo exercício mesmo). Além disso, outra preocupação nossa é com a possibilidade de ela machucar a outra patinha, já que já aconteceu um episódio em que ela foi tentar pular na mesa da cozinha para roubar comida (terrível rsrs) e depois ficou chorando e mancando por alguns minutos… então ficamos sempre ligados nesse sentido! Sobre adaptações em casa, não precisamos fazer nada muito diferente do que seria com um pet “normal”, só aquele básico: arrumar um espaço para ela fazer as necessidades, não deixar nada que ela possa subir perto de janelas, enfim… nada de muito diferente por ela ser especial. No geral, a Amora não tem grandes dificuldades, ela inclusive é bem sapeca e costumamos falar que se ela tivesse as quatro patas, nós estaríamos perdidos!

Quando falamos de animais com deficiência ou que tem alguma necessidade específica, a importância da posse responsável é duplicada! Quando você se torna responsável pela vida, saúde e bem-estar de um pet paraplégico, cego, surdo, você tem que ter clareza do tamanho da sua responsabilidade com ele. Se ele precisa de medicação, estímulo para fazer as necessidades, fisioterapia, cadeira de rodas e tudo mais, você tem que saber que deve providenciar para ele tudo que é necessário, não só financeiramente, como emocionalmente também.

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