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Mitos Comuns Sobre Os Cães

No post de hoje quero falar sobre alguns dos mitos comuns sobre os cachorros. Alguns deles até se aproximam da realidade, enquanto outros são apenas velhos dizeres que não se apoiam em nenhuma evidência científica. Ao longo do tempo foram sendo perpetuadas várias afirmações sobre os cães que precisam ser descontruídas. Vamos lá?

  • Cães enxergam em preto e branco

Eles enxergam menos cores, mas não em preto e branco. Os cachorros são capazes de discriminar entre algumas cores e isso já foi comprovado cientificamente. Sim, é verdade que eles não percebem toda a gama de cores como nós, mas podem distinguir cores como o azul e o amarelo, enquanto têm mais dificuldades com as cores quentes, como o vermelho e o cor de rosa.

Aqui vale uma explicação biológica (que não é minha, eu encontrei na internet e estou reproduzindo aqui para vocês): a capacidade para ver cores está determinada por células da retina – os cones – que são estimulados por luz de diferentes comprimentos de onda. Enquanto os humanos possuem cones sensíveis a três cores (vermelho, azul e verde), os cães só têm cones sensíveis a duas (azul e amarelo). Os cachorros também não conseguem distinguir detalhes a curta distância. Mas se o objeto que está perto estiver em movimento, torna-se facilmente detectável.

Em resumo, os humanos têm uma maior capacidade de visão tridimensional, captando a profundidade dos objetos, de distinguir cores e captar detalhes, enquanto o cão vê melhor com pouca luz e detecta muito melhor os movimentos, por mais discretos que sejam

  • Um ano na vida de um humano equivalem a sete anos na vida de um cão

Não! Esse cálculo é variável e depende principalmente do porte do cão. De modo geral, cães menores tem uma expectativa de vida maior do que cães de grande porte. Por exemplo, um pinscher pode viver, em média, 16 anos, enquanto um dogue alemão dificilmente ultrapassa os 12.

É verdade que os cães envelhecem mais rapidamente que os humanos, mas é impossível calcular a equivalência em anos de cada um de forma exata. Este tipo de previsão é totalmente subjetiva.

Tudo depende do desenvolvimento do cão e de sua qualidade de vida, além de questões genéticas. Mesmo dentro de uma mesma raça, não podemos esquecer que cada caso é um caso e que cada animal terá o seu próprio ritmo de crescimento, maturação e envelhecimento e que não é possível saber quanto tempo irá viver. Para esclarecer essa questão um pouco mais, quero dar um exemplo seguindo a lógica de um ano humano serem iguais a sete anos caninos: uma cadela com um ano de idade já atingiu completamente a puberdade e, dependendo da situação, já pode ter sido mãe. Em contrapartida, uma menina com sete anos ainda se mantém e manterá, por mais alguns anos, longe da puberdade.

  • Cães adultos e idosos não aprendem mais

Em qualquer idade se pode aprender. Pode não ser tão fácil depois de adulto, mas é totalmente possível.

Sim, eu concordo que a idade ideal para o adestramento é enquanto o cão ainda é filhote, já que um cérebro jovem, ávido por experiências, aprende com mais facilidade. Além disso, um filhote ainda não tem hábitos formados e vícios de comportamento, então é mais fácil ensinar o comportamento correto. Os neurônios de um filhote estão prontos para absorver e processar informação e as suas conexões nervosas são muito mais rápidas. Portanto, será mais fácil atingir objetivos com o treino.

Vamos pensar em nós, seres humanos: quanto mais novo somos, mais fácil é aprender uma nova atividade. O cérebro ainda não aprendeu tantas coisas, está mais fresquinho e aberto para novos conhecimentos.

Porém, nem tudo é melhor no treinamento de filhotes. Por serem jovens, são também mais impacientes e distraídos. Tem que haver a motivação adequada e a forma de ensino correta, prazerosa e estimulante, com sessões intensas, mas curtas.

E por que é mais difícil adestrar ou ensinar algo novo para os cães adultos e idosos? É porque os sentidos estão menos aguçados, eles não ouvem ou enxergam como antes e já foram condicionados a fazer muitas coisas e mudar pode ser um desafio. Além disso, os cães mais velhos já não têm mais tanta energia.

Mas, com a motivação certa, muita paciência e objetivos adequados às limitações do idoso, podemos sempre ensinar algo novo ou relembrar ensinamentos antigos. Inclusive, é muito importante que a gente continue a treinar os velhinhos, não só para exercitar seu cérebro e retardar o seu inevitável envelhecimento, mas também para relembrar os treinos e comandos. Vale falar também que as sessões de treino tranquilas, agradáveis e leves estreitam os laços afetivos entre os tutores e os cães, especialmente nessa fase mais sensível da vida do cão.

  • As fêmeas precisam ter pelo menos uma ninhada antes de serem castradas

Isso é totalmente falso. Não há nenhuma razão científica para defender essa afirmativa! Na verdade, é melhor esterilizá-las assim que possível para evitar problemas de saúde como cistos, tumores ou até gravidez psicológica.

Acho que aqui nesse item vale lembra-los que eu não sou veterinária e que para saber mais sobre castração e cuidados da saúde do seu pet, você deve conversar com um médico veterinário. Entretanto, aqui vou dar aqui minha opinião com base na minha experiência e nos meus estudos de comportamento animal.

Ser mãe não melhora a saúde da cadela e não faz com que se sinta mais realizada, já que esse conceito de “maternidade realizadora” é totalmente humano, e por isso é totalmente desnecessário que fiquem grávidas. Cães não pensam como seres humanos. Eles não se sentem frustrados se não tiverem filhotes, não sentem falta de cruzar e nem sabem que isso existe se você não os expuser a essa situação.

A medicina é uma ciência dinâmica, em constante evolução e aquilo que é hoje uma certeza, pode deixar de o ser no futuro. Mas enquanto os conhecimentos médicos estiverem ao nível que estão hoje, a esterilização precoce previne diversas doenças comuns às cadelas não castradas.

Propagar esse mito só contribui para uma superpopulação de cães e o abandono de animais nas ruas. Eu sou totalmente a favor da castração, principalmente antes do primeiro cio da fêmea, que é a melhor forma de prevenir as principais doenças do aparelho reprodutor. Converse com seu veterinário sobre a castração não só de fêmeas, mas dos machos também.

  • Somente os cães de pequeno porte ficam bem em apartamento

Nada disso! Qualquer cão, seja qual for o porte, tem o direito inalienável de ser cognitivamente estimulado, de forma correta, prazerosa e regular. É dever do tutor promover o exercício físico e mental adequado ao seu tamanho, idade e estado físico.

Partindo desta premissa é fácil compreender que mesmo um cão muito grande pode viver em apartamento, desde que tenha suas demandas de exercícios físicos e atividades atendidas. Se ele for passear ao todos os dias, por diversas vezes, ter estímulo cognitivo e sensorial e também desfrutar de períodos de repouso ou de menor atividade, sua qualidade de vida será ótima. O mesmo se aplica com os cães pequenos, aliás. Tamanho não tem nada a ver com a qualidade de vida que o cachorro deve ter!

Todo cão precisa de exercício físico e mental, boa alimentação, períodos de repouso, cuidados com a saúde física e psíquica e muito amor, independente do porte ou da idade e do espaço onde ele mora.

A verdade é que não interessa a nenhum cão ter vários hectares para se movimentar, quando todo esse espaço é desprovido de qualquer interesse, onde nada acontece e ele não recebe absolutamente nenhum estímulo.

O cachorro precisa expressar seus comportamentos naturais, com os tutores promovendo o relacionamento com a família e convívio saudável com outros animais.

  • Cães e gatos não se dão bem

Cães e gatos podem ser amigos, sim! Mas antes é preciso se lembrar da socialização. Tanto o cão como o gato, durante a sua infância (entre o segundo e terceiro mês), têm uma fase importante e crucial para o resto da vida deles.

De fato, as diferenças na linguagem corporal de cães e gatos ditam alguns desentendimentos entre estas duas espécies. Ambos são predadores, mas o gato também pode se ver na posição de presa quando está perto de um cachorro, e aí o gato pode apresentar comportamentos de fuga vitais quando se sente caçado. Mas é totalmente possível que ambos se entendam. Aliás, não só se entendam, mas também que sejam grandes amigos.

É, mais uma vez, tudo uma questão de socialização. Se cada um conviver com representantes da outra espécie numa fase precoce da vida, muito provavelmente irão saber comunicar, compreender e confiar, ao ponto de se aceitarem como pertencendo ao mesmo grupo familiar.

Tem algumas dicas para conseguir uma boa convivência entre cães e gatos. É importante fazer uma apresentação formal entre os dois, oferecer um espaço confortável e seguro para cada um, fazer brincadeiras com os dois ao mesmo tempo…. Principalmente, não force nada! Dê tempo ao tempo!

  • Os cães sentem culpa quando fazem algo de errado

De um modo geral, não há evidências de que os cachorros sentem emoções secundárias, como o ciúme ou a culpa. Os cães não estão tentando se redimir de nada quando fazem aquela cara de “coitadinhos”, com os olhos baixos e as orelhas caídas, já que não tem consciência de ter feito algo errado.

Eles se comportam assim simplesmente porque os tutores já deram sinais de desagrado, de nervosismo, mesmo sem perceberam disso. Sinais tão sutis como uma simples dilatação de pupila, um elevar de sobrancelhas, deixar os lábios abertos ou enrugar a testa, serão facilmente percebidos pelo cachorro, ótimo leitor de expressões faciais.

Nesse momento o cachorro já adota uma postura de apaziguamento, muito antes de o xingarem, uma vez que já compreendeu que todos aqueles sinais que seu tutor deu geralmente precedem um castigo.

Aquela feição que nós consideramos “cara de culpa”, não quer dizer, de modo algum, que ele se sente culpado. Esse conjunto de expressões é na verdade um sinal de apaziguamento, como disse agora mesmo. Ou seja, a postura do bichinho ao receber uma bronca ou até uma “cara feia” dos tutores leva as pessoas a acharem que ele tem consciência do que ele fez de errado, quando na verdade ele só está “pedindo”, através da sua comunicação corporal, que as pessoas parem de brigar com ele.

Pessoal, os cães não sabem diferenciar o certo do errado. O conceito de certo e errado é algo que nós, humanos, construímos. Os animais não compartilham dessa visão ética conosco. E vamos parar para pensar, nem entre os humanos o conceito de certo e errado são iguais! O que é certo para mim pode ser errado para você, por exemplo. Se nossos cães não têm a capacidade de diferenciar o que é certo do que é errado, como eles vão sentir culpa por fazerem algo que eles nem sequer sabem que é errado?

O cachorro não sabe lidar com a situação de ver o tutor bravo, punindo-o ou dando uma bronca. Como os cães se comunicam através da linguagem corporal conosco, eles usam da postura de “cão arrependido” para tentar apaziguar a situação e evitar a punição.

De um modo geral, os cães fazem associações positivas quando algo é bom para eles, ou negativas quando não é uma coisa legal. Além disso, os cãezinhos também não são capazes de identificar qual foi o motivo da bronca se ela não acontecer na hora exata do evento, então sua bronca por ele ter feito algo quando você estava fora de casa não servirá para absolutamente nada, só para dificultar a relação entre vocês.

Espero que tenha ajudado a acabar com alguns dos mitos sobre nossos cãezinhos.

Beijos!

4 comments

    1. Oi, Marta!
      Isso varia muito de acordo com o cão e a relação que a família criou com ele.
      Alguns cães ficam muito ansiosos quando ficam sozinhos, sim. Isso é comum de acontecer. O ideal é ensinar o cão a se entreter sozinho na ausência do tutor! Fornecer brinquedos e atividades ideais antes de sair ajuda mutito o animal a se ocupar enquanto estiver sozinho. Outras dicas seriam procurar uma creche para seu cão ficar, ou contratar uma pet sitter para acompanhá-lo nos momentos em que estiver sozinho.
      De toda forma, o que eu indico sempre é cuidar da ansiedade de separação do seu cão e fornecer enriquecimento ambiental para ele!

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