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Mitos Comuns Sobre Gatos

Há alguns posts falei sobre determinados mitos comuns sobre cachorros. Hoje vou fazer o mesmo, só que com gatos! Os gatinhos também são vítimas de muita informação incorreta que aparece por aí. Vamos juntos desconstruir essas afirmações?

  • Gatos são traiçoeiros

Não, pessoal, nada disso!

Acho que a primeira coisa a ser dita aqui é que a gente deve tomar cuidado com a antropomorfização excessiva dos gatinhos. Palavra difícil, mas importante para a gente entender a relação entre o comportamento dos bichinhos e nossa expectativa em relação a eles.

Quer dizer, o conselho vale para a relação com qualquer pet: atribuir características humanas aos pets é o primeiro passo para criar uma relação ruim com eles. Gatos e cachorros não são humanos e é desleal com eles compará-los a nós. Cada espécie tem características únicas, comportamentos específicos e demandas e necessidades diferentes.

Assim, dizer que o gato é traiçoeiro é errado duas vezes! Uma ao atribuir uma característica eminentemente humana a ele – “traiçoeiro” tem a ver com traição, quebra de confiança, algo que vem de uma vivência totalmente humana; e outra por classificar um comportamento característico felino como negativo para nós.

Explico: o modo do gato se relacionar com o humano é singular. Não se compara com a relação do cão com os humanos, por exemplo, nem a relação entre humanos.

Ter uma noção mais abrangente das especificidades dos gatos é essencial para esclarecer os mitos que rondam esses pets. O principal é tentar entender o ponto de vista do gato, colocar-se no lugar dele e enxergá-lo como o animal que ele é.

Quem busca entender o comportamento deles, passa a gostar desses detalhes que o fazem especiais.

Nosso conhecimento sobre os gatos e seu comportamento ainda é raso se comparado ao que sabemos sobre os cães. Isso é reflexo de todo um processo histórico: os cachorros foram domesticados há muito mais tempo que os gatos. Na verdade, não podemos dizer que a domesticação dos gatos está completa, eles ainda possuem muitos instintos voltados para a preservação como seria na vida selvagem. Como o homem já tem mais conhecimento sobre o cão, esse contato é mais forte, a tendência é pautar o comportamento do gato pelo que o cão faria.

  • Os gatos enxergam no escuro

É metade verdade, metade mito. Isso porque depende do que você entende por escuridão! Eles não conseguem enxergar quando há ausência total de luz, embora eles possam ser guiados no escuro graças a seus outros sentidos.

Mas, sim, a verdade é que os gatos veem as coisas no escuro muito melhor do que nós, humanos. Precisam somente de um sexto da luz que nós precisamos para enxergar.

A pupila dos gatos varia mais que a dos seres humanos, já que têm maior abertura e amplitude. Desta forma, os gatos podem enxergar até seis vezes melhor do que um ser humano em um ambiente com pouca luz. Da mesma forma que as pupilas do gato se fecham bem durante o dia, elas também se abrem mais que as dos humanos no escuro, permitindo uma maior entrada de luz.

Ainda sobre as pupilas dos gatos, o fato de elas não serem redondas, e sim em formato de fenda, também é crucial para proteger a visão dos gatos. Sendo verticais e nesse formato, elas se fecham bastante para evitar a entrada do excesso de luz, o que incomoda os gatos.

Também há o fato de a retina dos felinos ser composta por mais bastonetes do que cones, o que significa que ela é mais equipada para absorver a luz do que cores. Ou seja, eles enxergam melhor que nós e com menos luz, mas percebem menos cores.

Além disso, você já deve ter reparado que os gatinhos são muito bons em perceber o que se passa ao redor deles, não é mesmo? Eles estão sempre conscientes de movimentos que acontecem ao lado do corpo deles, por exemplo. Isso ocorre porque o campo visual dos gatos é de 200 graus, maior que o do ser humano, que é de 180 graus.

  • Os gatos sempre caem de pé

Embora os gatos consigam saltar de alturas consideráveis e cair sem se machucar, não significa que sempre terão sucesso. Eles não conseguirão se salvar se saltarem de locais extremamente altos, como janelas de prédios. Mesmo sendo uma habilidade muito útil e indispensável, não é infalível. Afinal, os gatos caem de pé só em determinadas situações e de determinadas alturas.

Os gatos têm um senso de equilíbrio bastante apurado que lhes permite fazer movimentos rápidos e girar o corpo sobre as quatro patas. Quando um gato salta, seu ouvido e a flexibilidade do corpo tem papel fundamental para que ele caia de pé. O gato realiza esse malabarismo contando com a sensibilidade dos receptores, que é uma estrutura interna do ouvido responsável pelo equilíbrio.

Numa queda, a primeira reação do gatinho é endireitar a cabeça e o corpo. Depois, ele rotaciona o corpo em 180 graus e endireita toda a coluna, ao mesmo tempo em que retrai as patas dianteiras e estica as traseiras. Depois, o gato irá arquear a coluna fazendo com que a queda seja amortecida. Na maioria dos casos, o animal consegue cair de pé e sem maiores danos.

No entanto, é super importante lembrar que as habilidades dos gatinhos não reduzem a velocidade do tombo. É por isso que, dependendo da altura, o gato ainda sofrerá terríveis lesões nas patas e na coluna vertebral mesmo caindo de pé, podendo até morrer. 

  • Eles se apegam à casa, não ao tutor

Ixi, esse daí é um dos maiores mitos, viu?! E é um dos maiores medos que os tutores de gatos tem quando precisam se mudar de casa, por exemplo. Sempre surge aquela dúvida de que o gato não vai se adaptar à casa nova e irá querer fugir para a antiga.

A verdade é que os gatos são animais extremamente territorialistas. Mas, o que isso significa? Significa que os bichinhos podem se sentir ameaçados por não estarem em seu próprio território ou quando há uma invasão de outros gatos (ou até outros animais) no território deles.

O espaço físico é muito importante para o gato.

Isso não quer dizer, de modo algum, que os humanos não sejam muito importantes para os gatos domésticos!

Assim, é fato que os gatos são muito apegados a casa onde vivem e são resistentes às mudanças. Mas vale lembrar que um dos principais elementos que faz com que os bichinhos sejam apegados à casa é justamente o fato de ali morarem as pessoas que eles mais amam: seus tutores. Então, não pense que o gato está com você pelo conforto da casa, ele está com você porque gosta da companhia.

E tem também mais um fator importante aqui: gatos são animais de hábitos e de rotina. Não gostam de mudanças e novidades. O que o gato se apega, de fato, é à rotina e aos seus costumes. Gatos se apegam à casa, às mantas, à marca da ração, até aos potes de comida. Isso significa que qualquer mudança é estressante para um gato, e é nossa responsabilidade torna-la mais suave para nossos gatinhos.

  • Gatos brancos são surdos

Sim, há uma ligação muito forte entre a surdez congênita e a cor dos pelos dos gatos. Mas nem sempre essa relação existe! Então, não podemos generalizar.

Gatos totalmente brancos têm uma chance muito maior de serem surdos do que gatos de outras cores, e essa chance aumenta significativamente se um ou os dois olhos forem azuis.

Os gatos brancos de olhos azuis têm uma chance entre 65% e 85% de serem surdos. Isso acontece porque o gene que garante a cor completamente branca do gatinho é o mesmo que gera surdez!  De um modo geral, quanto mais forte esse gene, menos melanina o gato produzirá, e mais claro será o seu olho – portanto maiores as chances do gene também afetar a audição e o gato nascer surdo.

Por isso, se o olho do gato for azul, quer dizer que o gene em questão se manifestou de maneira mais significativa. Isso quer dizer, inclusive, que gatos que tem heterocromia, apresentando um olho azul e outro de outra cor, têm uma chance muito grande de serem surdos apenas de uma orelha – justamente a do mesmo lado que o olho é azul!

Nos gatos domésticos a surdez não atrapalha em nada a vidinha deles. Dá para ter uma vida normal, feliz e longa mesmo sendo surdos.

  • O gato é o maior culpado pela transmissão da toxoplasmose

Como esse tópico é sensível, vamos por partes, queridos leitores.

A toxoplasmose é uma zoonose, ou seja, é uma doença transmitida ao homem pelos animais. O gato, nesse processo, é o hospedeiro definitivo do protozoário chamado Toxoplasma gondii, o parasita causador da doença.

Mas engana-se quem pensa que todo gato transmite toxoplasmose e que é fácil pegar toxoplasmose de um gato.

A falta de informação e orientação acaba aumentando ainda mais as estatísticas de abandono de gatos, especialmente quando há uma mulher grávida no círculo social deles. As pessoas ainda têm muito medo de o gato transmitir a doença para a grávida e o bebê nascer com toxoplasmose congênita. Só que isso é muito mais difícil do que parece!

Para explicar para vocês de maneira mais clara como funciona a transmissão da toxoplasmose pelo gato, conto com a ajuda do Francisco França, amigo meu e estudante de medicina veterinária, que falou um pouco sobre o ciclo do toxoplasma no gato. Ele explica porque o gato não é o vilão na transmissão da toxoplasmose:

“O gato desenvolve imunidade e só elimina os oocistos nas fezes durante 2 semanas de sua vida. E há pouquíssima chance de gato que vive em apartamento e só come ração contrair o protozoário! Os oocistos nas fezes dos gatos contaminados vão esporular e, se a pessoa não lavar a mão depois de limpar a caixa, por exemplo, pode carregar os oocistos esporulados até os alimentos. Então olha só: o gato só vai contrair o Toxoplasma se comer carne crua infectada ou caçar, etc.; se morar em apartamento, não sair para caçar, e tiver um controle eficiente de insetos, já fica difícil de ele contrair. Se contrair, ele só vai eliminar os oocistos durante duas semanas na vida, porque depois ele desenvolve imunidade e a infecção passa a se tornar crônica, basal, e não elimina mais. Se contrair e ainda assim tiver na fase aguda, eliminando oocistos, estes ainda precisam de pelo menos 24 horas em condições ideais para esporular, que é quando assumem a forma infectante para humanos. Então, se mantiver a higiene e tirar as fezes da caixa diariamente, não vai ter oocisto esporulado no ambiente. E se tiver, se lavar as mãos e a comida, já evita também. Veja que tem que passar por várias etapas muito favoráveis para o parasito conseguir infectar uma pessoa”.

  • Gatos tem sete vidas

Esse provavelmente é o maior mito em torno dos gatos! Nos países Anglo-Saxões são ainda mais generosos com os gatos e dizem que eles têm nove vidas, ao invés de sete.

Falando de maneira direta: não, os gatos não têm sete vidas! Nem nove, nem três, nem quatro. Eles têm somente uma vida, que deve ser muito bem cuidada e preservada.

Existem algumas origens para essa lenda. Eu, pessoalmente, imagino que tenha algo a ver com o fato de os gatos serem extremamente curiosos e com isso ficarem, muitas vezes, em situações comprometedoras. Só que eles são também muito rápidos e ágeis, se safando com facilidade. Isso tem uma ligação forte com as “super habilidades” felinas, de correr rápido, cair em pé, se esconder em lugares muito pequenos… Além disso, o gato é um animal conhecidamente estoico – o que significa que ele raramente demonstra emoções, dor, desconforto. Assim, o gato só demostra que há algo de errado acontecendo se for uma situação muito séria mesmo. Isso leva as pessoas a acreditarem que gatos não ficam doentes e que tem uma “super imunidade”, por exemplo.

Há quem diga que essa lenda nasceu na Idade Média, quando os gatos, assim como as bruxas e magos, eram vítimas da Inquisição. Apesar dos esforços para acabar com eles, eles dificilmente diminuíam em número, justamente por serem muito rápidos e espertos. Assim, começou-se a acreditar que eles tinham mais de uma vida.

Também há uma corrente que acredita que essa lenda veio do Egito antigo. Lá surgiu uma das primeiras teorias que fala do conceito espiritual da reencarnação: ao morrer uma pessoa, a sua alma passa para outro corpo ou outra vida e isto pode acontecer em várias ocasiões. Ou seja, o que morre é apenas o corpo. Os antigos egípcios tinham a convicção de que o gato era o animal que partilhava esta capacidade com o homem e que ao culminar a sua sexta vida, na sétima, passaria a reencarnar na forma humana.

De toda forma, gatinhos não são eternos e nem tem sete (ou nove!) vidas. Vamos cuidar bem da única vida que eles têm!

Por hoje é só, pet lovers! Vamos sempre questionar as afirmações que vemos sobre os bichinhos por aí!

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